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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Beleza abafada



(p/ Amy Winehouse)


Rastros de alegria,
Cheiro de tristeza,
Beleza abafada
Na sonoridade das luzes
Encantadas!

Um belo ser,
Em busca do eu
E do prazer de tantos,
Encantos:

Prantos, risos, 
Cores, brilhos,
Nascidos na dor.


Juscelino V. Mendes





Imagens - fonte: http://www.lastfm.com.br/music/Amy+Winehouse/+images;
Vídeo: Youtub. Música: "Wake Up Alone.

Wake Up Alone

Amy Winehouse / Paul O'Duffy


It's okay in the day I'm staying busy
Tied up enough so I don't have to wonder where is he
Got so sick of crying
So just lately
When I catch myself I do a 180
I stay up clean the house
At least I'm not drinking
Run around just so I don't have to think about thinking
That silent sense of content
That everyone gets
Just disappears soon as the sun sets

He gets fierce in my dreams
Seizing my guts
He floats me with dread
Soaked to the soul
He swims in my eyes by the bed
Pour myself over him
Moon spilling in
And I wake up alone

If I was my heart
I'd rather be restless
The second I stop the sleep catches up and I'm breathless
This ache in my chest
As my day is done now
The dark covers me and I cannot run now
My blood running cold
I stand before him
It's all I can do to assure him
When he comes to me
I drip for him tonight
Drowning in me we bathe under blue light

He gets fierce in my dreams
Seizing my guts
He floats me with dread
Soaked to the soul
He swims in my eyes by the bed
Pour myself over him
Moon spilling in
And I wake up alone
And I wake up alone
And I wake up alone
And I wake up alone

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Tous les Matins du Monde

"A vida é bela à medida que é feroz"¹



Não há volta nas manhãs,
Nos rios, nos perfumes,
Flores, gestos, sorrisos.

Não há encanto no futuro
Passado, ondas, brisas,
Afagos e ternuras.

Delicadezas flutuantes,
Flechadas profundas:
Tílias, tílias...

Não há promessas, Saint,
Marais, sons eternos,
Instantes, instantes...

Fantasias no espaço sideral
Nada no empírico,
Névoas coloridas.

Pássaro sem canto,
Mutação de penas,
Olhar de brilho fugidio:

Madeleine, sétima corda
Partida em laços febris e
Busca de tempo nenhum.






Juscelino V. Mendes


¹Do filme: Todas as Manhãs do Mundo (Tous les Matins du Monde, França, 1991. Direção: Alain Corneau. Com: Gerard Depardieu e Anne Brochet).
"Todas as manhãs do mundo"

No século 17, um músico da corte de Luiz XIV, Marin Marais (Depardieu), relembra sua introdução no mundo artístico supervisionado pelo seu rigoroso mestre de viola de gamba, Sainte Colombe (Jean-Pierre Marielle).
Assisti a esse belo filme e compus, ao final, este poema. As suas imagens, diálogos, silêncios, ficaram vivos em minha memória e tentei verbalizar tudo isso o melhor possível. Espero ter conseguido. O filme é adaptação do maravilhoso livro do escritor francês de formação filosófica, Pascal Quignard.


sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Sem mais


Sem mais
Invento ais
Em ondas tais
Que não me prendem a amarras,
Nem na solidão do nada que se me apegue,
Nem na saciedade de tudo que se me farte.
E o sempre se torne em finito.

Juscelino V. Mendes




sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Caiapós



















Homem

Caiuruçu

Na mata

E

Mata

Capoeira

Então

Branco

ou não

Caiapó!



Juscelino V. Mendes

O ser humano é predador por natureza, independentemente da cor, ou raça!
(Imagem: http://www.ladybugbrazil.com/2010/08/17/enquanto-isso-o-brasil-queima/)
Termos em itálico na língua tupi e significam:
1- Capoeira – roça abandonada;
2- Caiuruçu – incêndio;
3- Caiapó - que traz o fogo à mão -
"O poder de fogo e da devastação ambiental ficou gravado no vocabulário tanto dos índios quanto dos portugueses. (...). Os índios caiapós usavam tanto o fogo que daí veio o nome da tribo - 'caiapó' significa 'que traz o fogo à mão'".
Leandro NARLOCH - Guia politicamente incorreto da história do Brasil, p. 53.

domingo, 31 de outubro de 2010

Sem ecos no silêncio agora

Donde no hay ecos el silencio es tan horrible como esse peso que no deja huir, en los sueños.

La Invención de Morel

- Adolfo Bioy Casares



Saboreamos pelo tempo vivido
a parca alegria oferecida
neste palco de tábua embevecida
no pulsar de coração aturdido

Tristezas ensolaradas, frias
passagens de tempo presente
de vivências pretéritas no ingente
afã de buscar significado nos dias

Astros movidos por leis particulares,
dependentes de vãs lembranças
que desmoronam frágeis pilares


De dor em dor; em desesperança:
desarmonia de ossos e nervos
em bucólicos vilares.



Juscelino V. Mendes








segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O poeta e a rosa



"Rosa, oh pura contradição, volúpia de ser o sono de ninguém sob tantas pálpebras"
(Rainer Maria Rilke)




O poeta é o combustível,
a rosa pura física.
A poesia é fogo
que da chama de ambos nasceu.

Impossível foi evitar-se

o nascimento da chama
da rosa.

Impossível será evitar-se

que o fogo dele nascido se torne poesia.


Juscelino V. Mendes


Mendes, Juscelino V. – O Poeta e a Rosa. Livro de poesia filosófica e haicais, Poemas Reunidos, Balé do espírito, Editora Komedi, p. 84.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Eu choro















Cada mineiro que sai,
Chile,
Eu choro -
Humanidade,
Alegria infinita.

Cada assaltado que cai,
Brasil,
Eu choro -
maldade,
Tristeza infinita.


Imagem "La Nacion" - http://jornais.prensamundo.com/ver.php?url=http://www.lanacion.cl

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Mulato



Mulato feito

a jato


que não gostou


do fato.



Que fato?


que se amou


mais o jato


que o f-ato!...




Juscelino V. Mendes



“A ação é centralizada no vendedor que expõe a ‘mercadoria’ aos seus clientes. Senhoras com ares arrogantes, munidas de sombrinhas, cutucam os quadris das negras, enquanto as mãos intrusas do comprador apalpam o corpo seminu da escrava sob o possível pretexto de verificar a ‘qualidade do produto’. (...). A cena recupera melancólica particularidade do sistema escravocrata no Brasil.”  In O OLHAR EUROPEU – O Negro na Iconografia Brasileira do Século XIX – Boris KOSSOY e Maria Luiza Tucci CARNEIRO, p. 57. São Paulo: Edusp, 1994.

Escrevi este poemeto num suspiro só, após ler o interessante livro supra mencionado. E também por saber de algumas notícias fragmentadas da infância.

Nascer sem ser querido ou querida, é das coisas mais tristes que alguém pode enfrentar, especialmente no início da vida. É ser marcado com tinta difícil de ser apagada.

domingo, 3 de outubro de 2010

Chamas da vela


Bice


Velas!
Cores!
Silêncios...
Monotonia quebrada do viver sem descobrir:
carícias plantadas
colhidas em beijos,
toques selvagens guardados,
grudados,
entoando alegria
"
Also sprach Zarathustra", Op. 30
Richard Strauss sem prelúdio.

Imagens de poemas de Joyce, Rilke e Dante;

da
sinfonia três de Henryk Górecki;
flores em alpendres antigos,
essências flutuantes e
desvarios de mel.

Chama da vela que nunca se apaga!...

E nas paredes, não havia Renoir nem Rembrandt,
mas...

Beijos de amor cravados


Juscelino V. Mendes



Pintura: Rubens Gerchman - Arte: http://www.ignezferraz.com.br/mainportfolio4.asp?pagina=Artigos&cod_item=874.

domingo, 19 de setembro de 2010

A Fome

''Vi ontem um bicho, na imundície do pátio, catando comida entre os detritos (...) O bicho não era um cão, não era um gato, não era um rato. O bicho, meu Deus, era um homem.''

Manuel Bandeira





As estrelas ao longe
A cidade maravilhosa
A escuridão claramente triste
Testemunhavam:

A fome.


Encarcerada nos escombros,

Nos corpos imunes -
Crianças, grávidas, velhos, desempregados -
Nas bactérias resistentes tanto quanto ao calor
Humano!

A Vigilância Sanitária diz:

"O calor descaracteriza o produto
não serve para a alimentação
humana".

Humana?...


A Polícia tenta conter,

As lágrimas,
Diante das cinzas,
Dos miseráveis,
Superiores aos de Victor Hugo:
"Não tenho coragem de coibir".
 
Irajá, Acari

Vigilância, bactérias,

Cinzas, rebentos,
Polícia, alimentos,
Ceasa, o calor...
Artistas kafquianos?
O frio

De nossa desumanidade errática.


Juscelino V. Mendes


Sentimento nascente após assistir reportagem que noticiava a fome em estado puro, cortante, malévolo, no lixo, na Cidade Maravilhosa. 
"Cerca de mil pessoas cavaram com as mãos ou pás os escombros em busca de restos de alimentos. Eram as sobras do incêndio que, no último dia 21, destruiu um pavilhão da Ceasa, na zona norte do Rio. Muitos atravessaram a lama, rasgaram as roupas e deixaram sapatos no caminho para pegar quilos de arroz ou latas de óleo. Eram moradores de favelas próximas que, pelo segundo dia consecutivo, recolhiam alimentos impróprios para o consumo, segundo a Vigilância Sanitária do município."

(O Globo, 30/05/2001). 






___________________________ Watch in English:




O contraponto dos moradores da denominada "Ilha das Flores".

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A Linguagem Jurídica



"A lei civil tem horror à simplicidade." 
                                     (José de Alencar)




Em meados de junho de 2007, em entrevista à Revista "Visão Jurídica", da editora Escala, respondi sobre um tema, que muito deveria interessar aos estudantes de Direito: Linguagem Jurídica

Não se pode negligenciar, o que de mais importa nas relações entre os seres humanos, que é a linguagem. No caso específico, a jurídica. 

É notório, o emaranhado de expressões estranhas, complexas e pouco comunicativas a que estamos envolvidos no dia-a-dia, a começar em nossas salas de aula nas faculdades de Direito, cujos professores se esmeram na arte do falar rebuscado e difícil, como se isso fosse algo em que pudéssemos nos orgulhar cada vez mais. 

Dentre as questões, que me foram formuladas, na referida entrevista, destaco as seguintes:
  
  1. O senhor é a favor da simplificação da linguagem no Direito? Por quê? 
  2. Na sua opinião, como a população em geral avalia a linguagem jurídica? 
  3. Quais as consequências positivas ou negativas para a sociedade com a simplificação da linguagem jurídica? 
  4. Quais as consequências positivas ou negativas para a comunidade jurídica com a simplificação da linguagem jurídica? 
  5. Vale a pena abandonar os velhos jargões e simplificar a comunicação (escrita e oral) com o juiz e com o cliente? 
  6. É necessário uma linguagem tão rebuscada? 
  7. Como escrever uma petição convincente sem ser rebuscado demais (O senhor poderia citar alguns exemplos de petições)? 
  8. Qual o estilo de comunicação que mais agrada a um juiz e torna a defesa mais interessante? 
  9. Que palavras evitar? Por quê? 
  10. Há jargões que não podem ser evitados? 
  11. Dê alguns exemplos de jargões e qual o significado para um leigo? 
  12. Quais os jargões mais utilizados na área em que o senhor atua? Eles poderiam ser evitados? Por quê? 
  13. A tendência é simplificar? 
  14. Advogados resistem à ideia de simplificar a linguagem? Se sim, por quê? 
  15. Se o senhor é a favor da simplificação, poderia citar alguns exemplos de expressões, comuns nos autos, que poderiam ser facilmente substituidas por outras, muito mais claras e objetivas?

Estas questões, em si mesmas, já revelam os problemas da incomunicabilidade entre as pessoas, especialmente entre professores e alunos,  que tem o seu aprendizado dificultado, entre profissionais novos e experimentados, entre estes e seus clientes e, finalmente, entre a população em geral, que não entende absolutamente nada do que se fala no estranho e  inacessível mundo dos que militam no mundo do Direito.

Comunicação, verbal, ou escrita, significa, sobretudo, entendimento entre aqueles que se comunicam para a solução de alguma coisa de interesse mútuo, pelo uso de palavras simples, diretas e objetivas. Não se concebe uma comunicação que seja compreensível por apenas uma das partes, ou por um seleto grupo, à semelhança de uma tribo.
Muitos gostam de impressionar (e muitas vezes conseguem!), usando palavras difíceis e frases de efeito, sob a falsa ideia de que serão mais respeitados com essa atitude tola e supérflua, muito mais de acordo com as nossas raízes do colonialismo cultural, que propriamente de algo útil e interessante.

Há expressões em petições, contestações, sentenças, acórdãos, que são verdadeiros quebra-cabeças e se assemelham ao que descreve Lago Burnett (in A Língua Envergonhada, p. 89), denominando de "palavrões", em sua critica aos nossos péssimos e irrelevantes modos na comunicação: 

"Se alhures, alguém obtemperar, de inopino, de forma assaz peremptória, que é improfícuo o embate, a gente, de bom alvitre, se escafede e dá às de Vila Diogo, não obstante o óbvio e ingente afã de ir à liça". 

São palavras que estão em nossos dicionários, sim, mas alguem, que me dá a honra na leitura desta escrita, pode me dizer sinceramente que entendeu o que se pretendeu comunicar com essas palavras gongóricas? Pois é.



Nossa linguagem jurídica caminha no mesmo sentido. Um copia o outro, sem a necessária reflexão. Dogmatiza-se quase tudo. Estamos cada dia mais informados, e, por incrível que pareça, menos letrados, com menos conhecimento. Todos ganharíamos  com a simplicidade das palavras. 

Lembro-me de Shakespeare, ao apresentar-nos um Hamlet aborrecido e entendiado, quando este diz: "Palavras, palavras, palavras"  para Polônio no segundo ato. Quando não temos o que dizer, ou queremos obscurecer intencionalmente a comunicação, usamos apenas palavras, palavras, palavras à semelhança de Polônio.

Juscelino V. Mendes




Referências bibliográficas:
Lago BURNETT, A Língua Envergonhada. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1976.
Willian SHAKESPEARE,  Hamlet, Príncipe da Dinamarca, obra completa, vol. I, Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 1995.
Vídeo: Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=p9BVVrKSCeo
Revista Visão Jurídica, ed. maio de 2007 [Entrevista que concedi à essa Revista em abril de 2007]. 


domingo, 5 de setembro de 2010

Política: por que deve o cristão se envolver?



EMENTA:

       
                 O conceito de política em Aristóteles; as diferentes dimensões da política; a globalização; a consciência cristã: poder, dominação, representação, participação, democracia, igualdade, liberdade e o reino de Deus.



Este vídeo do CQC, disponível no Youtube, indica a situação em que nos encontramos, bem como a necessidade de, no mínimo, refletirmos a respeito da Política em nosso Brasil, antes de confiarmos em alguém e lhe oferecermos o nosso precioso voto, independentemente do partido que represente. A opinião de alguns, no sentido de que não nos envolvamos, além de já ser de alguma forma um envolvimento, é deletéria e prejudicial para todos, sob todos os aspectos e favorece aqueles que não tem e não querem ter compromissos com o País. O envolvimento dos que se consideram cristãos,  e que, portanto, seguem a Ética do Cristianismo, é fundamental na Política. Este, pois, será o tema a ser desenvolvido na palestra supra mencionada.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O futebol e o ludibrio

Umas das coisas mais interessantes da vida, como divertimento, para muitas pessoas, é o futebol. Quero destacar um ponto, que julgo fundamental, nesse negócio altamente rendoso e sensacional, que é o ludibrio natural e inerente a essa prática esportiva. O que mais chama a atenção, especialmente do torcedor, é o jogador que melhor sabe enganar o seu adversário com o drible, com a ginga, com a malícia. Aquele que se julga atleta, sem esses atributos, é nada mais que um jogador comum, sem brilho, sem destaque, que compõe, quando muito, uma equipe e serve apenas como um complemento, ou, conforme alguns jornalistas esportivos mais tecnicistas, 'mera peça de reposição'. Esta é a razão por que não se admite como natural e louvável, o detestável e tão propagado futebol de resultados, como alguns "dunguistas" gostam de alardear. Na verdade, isso serve apenas para garantir empregos que promovam ganhos estratosféricos, notadamente para alguns treinadores brasileiros, que são muito mais "palestrantes motivacionais", do que propriamente técnicos-professores estrategistas, conhecedores do futebol e de suas regras mais importantes. O futebol é lúdico, mexe com as emoções dos mais sensatos, a ponto de alguns não conseguirem dormir bem, após um resultado negativo do seu time do coração. Aceitar, portanto, que não se brinque, que não se pratique o ludibrio dessa forma natural, é eliminar a característica principal dessa prática esportiva, que serve muito mais como terapia do que propriamente como um divertimento, sem implicações mais diretas no indivíduo-torcedor, que perde, segundo o filósofo existencialista, Albert Camus, toda a inocência, ao ingressar em um estádio. Futebol, sobretudo, é paixão. E paixão, em sua desinência, é sofrimento. No futebol esse sofrimento acontece antes, durante, e, muitas vezes, depois também. E ser corinthiano é viver essas coisas todas ao mesmo tempo, e em grau máximo. Por falar nisto, 'Salve o  Corinthians' e sua  centenária 'República Popular'!...


Juscelino V. Mendes


Imagens do Corinthians, "O Timão", com sua respectiva torcida! E viva o Sport Club Corinthians Paulista, em seus 100 anos de historia de glórias, neste começo de setembro.





quarta-feira, 28 de julho de 2010

Sextina do shema

I

São palavras ordenadas por Deus
para alcançar de suas criaturas o coração
que está longe pós-queda sem poder,
com arrogância e tristeza na alma.
portanto do único Salvador ouve
a fim de que se torne um ser.

II
É suprema a graça daquele ser
que busca, na sapiência, e ouve;
que ama, com exaltação, o único Deus;
que o adora de todo coração,
com profundidade e beleza de toda a sua alma
e receb suas palavras de poder.

III
E, intimando à prole desse poder,
assentado e com o fervor do coração;
andando pelo caminho aberto por Deus;
deitando para o descanso e renovação do seu ser;
levantando de manhã, ouve.
Atando palavras por sinal, com alegria na alma.

IV

Entre os olhos, que são as portas da alma,
e por testeiras que identificam Deus,
escritas nos umbrais de seu coração.
da casa, cuja entrada dignificará o seu ser;
nas portas para que tenha poder.
E assim ouve.

V

Por que, Israel, não ouves,
para o bem de tua alma,
se na boa terra te introduziu Deus,
que havia jurado a teus pais poder?
Emanado de todo o seu ser
e nascente em seu coração?

VI

Quem amou d'Abraão o coração?
Quem tornou a Israel um ser?
Como do Senhor recebeu poder?
Quem edificou a sua alma?
Portanto, Israel, ouça!
Porque a tudo ordenou Deus...

VII

O mesmo Deus que amou teu coração.
E com o seu poder eterno salvou a tua alma.
Ouve, Israel, com todo o amor de teu ser. 

Juscelino V. Mendes


Poema baseado no texto bíblico de Deuteronômio 6:4-9 - "por algum tempo durante o período do Segundo Templo, esta passagem bíblica foi escolhida para ser recitada duas vezes ao dia, pela manhã e à noite, por todos os judeus. Conhecida pela sua palavra inicial, Shemá, começa assim: 'Escuta, Ó Israel, o Senhor é nosso Deus, o Senhor é Um'. Este versículo tornou-se o lema do judaísmo. É a primeira frase a ser ensinada a uma criança judia, e a última a ser pronunciada antes de morrer.'". - David J. Goldberg e John D. Rayner - Trad. Paulo Geiger e Carlos André Oighenstein, Os Judeus e o Judaísmo, p. 268. Rio de Janeiro: Xenon Ed., 1989.
Na verdade, é um imperativo perene de Deus  para que os seus Estatutos sejam observados por seus filhos, judeus, ou não, a fim de que, observando-os, sejam felizes aqui neste mundo. Esta é a síntese da obediência delineada pelo Criador para as suas criaturas e que ultrapassa quaisquer fundamentos meramente religiosos.
sextina
(ês) [De sext(i)- + -ina2.]
Substantivo feminino.


1.Arte Poét. Poema de forma fixa, por via de regra em versos decassílabos, composto de seis sextilhas e, quase invariavelmente, um terceto (denominado tornada, envio ou remate), e no qual cada uma das últimas palavras dos versos da 1a sextilha (não rimados, bem como os demais) se repete no fim dos versos das estrofes seguintes, mudando, porém, de posição, dentro de um mesmo processo: a 1a, 2a, 3a, 4a, 5a e 6a palavras finais, da 2a estrofe em diante, devem corresponder à 6a, 1a, 5a, 2a, 4a e 3a da estrofe anterior; no terceto, as seis palavras repetem-se, duas em cada verso, na ordem em que se acham na 1a sextilha. (Novo Dicionário Aurélio).






sábado, 17 de julho de 2010

Uvas verdes


















(Uvas / C. Salles/ São Francisco)

Um oásis com clima fresco
Quente sertão
 

Que neblina
Olhos mouros
 

Esplendidamente em suas encostas
Pinturas rupestres
 

Mirantes sobre o verão
Uvas verdes
 

Mosto de vinho nobre
Em invólucro de cristal.




Juscelino V. Mendes


 

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Imaginário - Uma Mulher

















Uma mulher me sorri
com doce expressão na face
como se me amasse
no seu doce afagar e rir

Olho-a ali
como quem mira um pássaro,
que busca no regaço
seu ninho construir.

O seu interior é sólido feito aço;
discreta, movimenta-se com delicadeza
e vejo sua beleza -
no imaginário que faço.

Conheci-a em Prevé–pássaro;
Proust–chá de tília e Trotsky em prosa: é Rosa.

Juscelino V. Mendes

A conexa leitura de Proust, Prevé, Marx e Luxemburg inspirou-me alguns versos desconexos neste soneto...
Imagem: http://pt.wikiquote.org/wiki/Ficheiro:Rosa_Luxemburg_ND5.JPG
 

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Bloomsday

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Um dezesseis de junho,
Em punho,
Meu saber infante:
Humano infamante.

Dublin colorida,
Joyce em sua guarida,
Ulysses seminal:
Saber genial.

Um jovem artista,
Quando eternamente
Bloomsday.

Juscelino V. Mendes




sábado, 12 de junho de 2010

I n t e r i n i d a d e s






Aqui chove.

Aqui esfria.

Minh´ alma, todavia

Canta.

Sente tuas mãos ternas

Em suas interinidades...

Juscelino V. Mendes





As distâncias e as impossibilidades são sentidas em grau máximo nas chuvas, no frio e nos ventos, mas se há amor, a alma se aquece, ainda que nessas circunstâncias.
Vídeo do youtube - Miles Davis & John Coltrane - Kind of blue