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segunda-feira, 22 de março de 2010

As meninas



(P/ Isabella (in memoriam) e Ana Carolina Oliveira)

Menina que nasce,
Doutra menina.
Menina que vive
Numa menina.

Menina que é flor,
Doutra flor.
Menina que é amor
Noutro amor.

Menina que sonha,
Noutra menina.
Menina risonha
Doutra menina.

Crime cortar uma flor,
Doutra flor,
Que exalou perfume por um lustro.
Apenas por um lustro!

Crime permitir que o ódio supere o amor
O verdadeiro sentido ágape do amor
Deus cuide duma e doutra flor
Nós outros reflitamos na dor.


Juscelino V. Mendes

Imagem: The Tempest (painting by Giorgione) - Britannica Online Encyclopedia site: http://www.britannica.com/EBchecked/topic/5867/The Tempest#tab=active~checked%2Citems~checked title=The%20Tempest%20--%20Britannica%20Online%20Encyclopedia - 
Hoje começa o grande julgamento dos denunciados criminosos de Isabella, que se estenderá por alguns dias. As provas serão científicas, porque ninguem, a não ser aqueles que cometeram bárbaro crime, sabe quem matou aquela linda criança. Deus sabe e há de agir, não pelas falas soberbas de persuasão da acusação e da defesa, mas pela firmeza do "sim" dos sete jurados, ao cabo de todo o teatro que se arma nessas ocasiões, dentro e fora do tribunal.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Estrelas
















nuvens
dissiparam-se
névoas de saudade
então

estrelas
tornaram-se
estrelas
meras aparências
então

é sereno


Juscelino V. Mendes


sexta-feira, 12 de março de 2010

I n s t i n t o

Sou uma mulher do século XIX
disfarçada em século XX

Ana C.



Instinto

Auto-devora-se

Adeus iminente

Paulatino findar-se

Absinto

Inclemente


Juscelino V. Mendes


Homenagem a Ana Cristina Cesar, poeta, uma das pessoas mais belas e doces que conheci na vida. Suicidou-se em 29 de outubro de 1983. Assista ao vídeo "Entelinhas" - parte 1, clicando no título de meu poema. A foto da esquerda pertence ao "Acervo Ana Cristina Cesar / Instituto Moreira Salles": 

sexta-feira, 5 de março de 2010

Mulheres: brisas e quenturas da vida


Operárias russas,
Novaiorquinas,
Africanas,
Baianas,
Brasileiras, 
Amálgama de todas elas.
Sobreviventes de seus próprios rebentos,
Machos creontes,
Sem as quais:

(evas, antígones,
saras, priscilas, 
lídias, anas, 
marias, ivones,

madalenas, joanas,
déboras, carinas, 
rutes,  marinas,
martas, susanas, 

sophias, maristelas,
adenices, danielas, 
isabelas, yaras, 
letícias, florisbelas, 

paulas, amandas,
beatrizes, sílvias,
júlias, daianes,
lúcias, iolandas,

cloés, julianas,
amélias, áureas,
lauras, marisas,
margots, adrianas,

fernandas, diacuís,
joísas, lucianas,
fabianas, sônias
graças, darcis

carmens, carmélias,
elianas, cristinas,
sheilas,  rosalinas,
fridas, jardélias

micheles, reginas,
vanessas, guaranis,
pataxós, enis,
melanis, sabrinas,

vitórias, lorenas,
alines, darlenes,
cíntias, marlenes,
yanomamis, terenas,  

silmaras, vânias
cláudias, emílias,
coralinas, cecílias,
simeias, tânias,

najas, sunamitas,
rosas, elenas,
naras, normas,
dolores, lolitas,
 
mulheres de todos os nomes, 
imaculadas, agares
desconhecidas, sem lares,
samaritanas sem nomes),

Seriam apenas animais,
Sem criação, 
sem educação, 
Sem nomes,
Com fome de todas as fomes;
Sem poesia.

Não só um dia oito, 
mas todos os dias,
oito ou não!

Mulheres: brisas e quenturas da vida.
Sempre!...


Juscelino V. Mendes

Homenageio, neste singelo poema todas as mulheres conhecidas e desconhecidas, a propósito do dia 8, mas apenas como pretexto do dia escolhido, pois todos os dias devem elas receber homenagem. Portanto, sintam-se todas acarinhadas com este poema.
Clique no título do poema e veja outro vídeo -  (http://www.youtube.com/watch?v=YTgLr1qa338).


 

Estar só


A fome é
Estar
A dor
Me
Ci
Do
Na sonoridade de estar só.



Juscelino V. Mendes


Clique no título do poema e veja o vídeo - (Titãs: http://www.youtube.com/watch?v=GYbzYlKDn_k).