onkeydown='return validateKey(event)'> onkeydown='return validateKey(event)'> expr:class='"loading" + data:blog.mobileClass'>

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Que saia o sol na paisagem!






"A loucura é sagrada, a vista uma ilusão"
(Heráclito, frag. 46)




Não será o choro um filme?
Cenas pretéritas em transe
E as lágrimas o morrer?
Concretude em gotas...
Se morrer quisesse, morreria?

Tal poder não tendo
O arrepender-se
Faz-se presente na ausência querida do ser

Por que se deseja uma canção triste?

Cão Andaluz (ii)
Em surrealismo poético da vida
Timorense:

Tétum (iii) , montanhas, sândalo,
Ouro negro, mármore azul,
Catarata de sangue nos rios
Restos de ternura boiando
Florestas menstruadas
Corações nunca escravos
Para o amanhecer de primavera
Desiderato de uma nação
Plantada na copa sombria das árvores.
Que saia o sol na paisagem
Ensolarada de um país!



Juscelino V. Mendes

----------------------------------------

(ii) Primeiro filme de Luis Buñuel, "Un Chien Andalou", 1928.
(iii) Língua nacional (antiga) de Timor Leste.
Sobre o poema

(i) Fui colaborador nas causas timorenses e por sua luta de independência, finalmente conseguida, não obstante muito ainda tenha que ser feito para confirmá-la.

João divisa Borges












(p/ João Cabral de Melo Neto)

João divisa Borges
na lucidez da cegueira:
Olhos cobrem
pálpebras côncavas,
interinidades convexas.
Brilho intenso e clarão fosforescente
Pernambuco - Andaluzia.
Abrem-se-lhes os olhos além-mundo
'Theorein' acontece... acabam-se as trevas?

Juscelino V. Mendes
Theorein: palavra grega que significa tanto ver quanto saber.


Sobre o poema

Poema composto por ocasião da morte de João Cabral de Melo Neto em 1999. Singela homenagem àquele que foi um dos maiores poetas brasileiros.

"O poeta João Cabral de Melo Neto, um dos nomes mais importantes da literatura brasileira, morreu no dia 9 de outubro, praticamente cego. Triste ironia para um poeta que amava a pintura e cuja poesia explora os recursos da imagem. A obsessão construtiva fez da poesia de João Cabral um caminho singular, incomum, na literatura brasileira deste século. Poesia rigorosa, cerebral e construtiva, como o trabalho de um "engenheiro" da composição. Nascido em Pernambuco (1920), passou parte da infância vivendo em engenhos de cana-de-açúcar, experiência que marcou profundamente sua visão de mundo e sua percepção estética. Estudou em Recife com os Irmãos Maristas, mas não teve curso superior..."
http://www.weblivros.com.br/especial/jo-o-cabral-de-melo-neto.html - Borges entra pela identidade na cegueira e mente iluminada. 

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Musical



o tempo flui,
voa,
amortece,
chove
musical
a suave fala
embebeda-me o flúmen:

correnteza doce.
Juscelino V. Mendes








A República e os mensaleiros

Nestes dias de condenação e encarceramento (?) de mensaleiros (nem precisamos mais das aspas), cito a apropriada palavra de Michel Foucault, sobre o encadeamento natural existente entre o delinquente e a própria lei, em simbiose perfeita:


"Nesta sociedade panóptica, cuja defesa onipresente é o encarceramento, o delinquente não está fora da lei; mas desde o início, dentro dela, na própria essência da lei ou pelo menos bem no meio desses mecanismos que fazem passar insensivelmente da disciplina à lei, do desvio à infração. Se é verdade que a prisão sanciona a delinquência, esta no essencial é fabricada num encarceramento e por um encarceramento que a prisão no fim de contas continua por sua vez. A prisão é apenas a continuação natural, nada mais que um grau superior dessa hierarquia percorrida passo a passo. O delinquente é um produto da instituição. Não admira, pois, que, numa proporção considerável, a biografia dos condenados passe por todos esses mecanismos e estabelecimentos dos quais fingimos crer que se destinavam a evitar a prisão."- (M. Foucault, Vigiar e punir, p. 249).

Mudando o que deve ser mudado, como diriam os latinos, o amálgama que há entre a Instituição e esses mensaleiros de categoria 'superior' é de uma clareza tropical impressionante! Melhor seria a "humilhação" da devolução, centavo por centavo, do dinheiro furtado ao Erário, aproveitando comemoração deste dia da proclamação da República brasileira.




Juscelino V. Mendes