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quarta-feira, 12 de março de 2014

Servidão voluntária


O período mais aborrecido para mim é o mês de março, quando terei de entregar a minha declaração do imposto de renda e me lembrar que trabalhei no ano anterior, chamado de base, 4 meses só para o Estado arcaico, ineficaz e corrupto para lhe pagar o imposto de renda do ano todo, feito um servo útil. 


É lastimável o quanto se paga para viver no Brasil, sim, o quanto se paga para se 'hospedar' no Brasil, desde que se nasce, correndo todos os riscos inerentes a um país repleto de ladrões de todos os matizes. Isso sem contar os demais tributos! É incrível como Deus nos dotou a todos nós, os brasileiros de bem, trabalhadores, do dom da paciência e da sobrevivência, pois o que somos na verdade é isto: so-bre-vi-ven-tes! 

A minha imagem é aquela de que me dou conta de estar num falso paraíso (fiscal?) e tento procurar as saídas para fugir, mas a principal, e possível, é da Administração Pública, obstaculizada pela presença de gigantes horríveis e mal encarados, que não me deixam passar, porque sou escravo, porque sou servo. 

Na verdade, o que dói mais é não ter resposta para algumas das perguntas de Étienne de La Boétie (1530-1563), em sua obra "O Discurso da Servidão Voluntária": 


"De onde um só tira o poder para controlar todos?", 


ou, 


"A propósito, se porventura nascesse hoje alguma gente novinha, nem acostumada à sujeição nem atraída pela liberdade, que de uma e de outra nem mesmo o nome soubesse, se lhe propusessem ser servos ou viver livres, com que leis concordaria?" 

E me lembro daquele presidente gringo (Benjamin Franklin), outrora determinante, também, nessa ilha (hoje, o de outra ilha, esta real, é que dá também as cartas), mas que me parece acertada a sua frase: 

"Na vida, só existem duas coisas certas: os impostos e a morte". 

Vou aguardar, portanto, a segunda, para sair dessa ilha imaginária e nunca mais me aborrecer com essas coisas, muito menos com esses gigantes horríveis, corruptos e ineficazes.

Juscelino V. Mendes

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