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quarta-feira, 30 de julho de 2014

Religião













Religião,
Só atividades eclesiásticas,
Conversas fantásticas,
Não salvam ninguém!
Mas a ação, sobretudo,
O amor!...
Eis, segundo a Bíblia,
A verdadeira Religião...


Juscelino V. Mendes

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Rubem Alves - Teologia


Eu sempre soube dividir as posições científicas, filosóficas e teológicas das pessoas. Muita gente boa que conheço não sabe fazer isto e desdenha e desmerece a outra, simplesmente porque não professa a mesma fé que a sua. Eu tenho amigos que tem fé diferente da minha, e alguns deles que são até ateus, mas nem por isso deixo de enaltecer as suas qualidades extraordinárias, sobretudo como pessoas honradas, éticas, produtivas e respeitosas. 

Rubem Alves, embora dissesse muita verdade a respeito de cristãos e igrejas, não professava a mesma fé bíblica que eu, mas nem por isso deixei de admira-lo como pessoa humana maravilhosa, intelectual de capacidade ímpar e de ler os seus textos extraordinariamente bem escritos, nem, muito menos, a execrá-lo por conta de suas posições teológicas contrárias às minhas. Temos outros bem menos qualificados intelectualmente no nosso meio batista, por exemplo, e com posições estranhas a respeito do evangelho, mas que são ovacionados em nossos congressos como fantásticos teólogos. Rubem Alves era mais honesto, portanto. 

Há exatos doze meses, depois de assistir a uma palestra sua, sobre teologia, escrevi, triste, este poeminha, como um breve retrato de um poeta enfermo:



A-deus


(p/ Rubem Alves)

Sou quem sou,
Mas não sei.
Partir-me-ei,
E de quem sou?
Não sei...
Minha teologia vai contra a maré;
Minha humana filosofia é o que me resta.
Acabei a carreira e é o que me presta.
Na minha velhice, pergunto-me, se algum dia tive fé!

A-deus!...



Juscelino V. Mendes
http://juscelinomendes.blogspot.com.br/2013/07/breve-retrato-de-um-poeta-enfermo.html

domingo, 20 de julho de 2014

Rubem Alves - Paz e doçura ao seu sono!

Hoje fui me despedir de meu amigo Rubem Alves, que já não estava lá, porque sua alma já se fora. Vi apenas seu corpo inerte, corrompido pelas marcas do tempo e labutas da vida. De suas labutas e reflexões pretéritas ficaram coisas belas: filosofia, romance, ciência, e, sobretudo, poesia. O dia ficou cinzento, embora houvesse sol; ficou com jeito de chuva, embora o céu estivesse com o seu azul intenso. Paz e doçura ao seu sono, e, ao acordar, que se sinta, como ele mesmo dizia, "um barco desamarrado do cais"!

NÃO SEREI MAIS

Não serei mais
Acontecerá num voo qualquer,
automóvel,
guiando ou guiado,
pedestre
numa desatenção,
pensando no primeiro movimento
“Trois Gymnopedies” de Satie?...

Numa explosão no mar,
batida brusca,
um leve desaparecer,
lendo, escrevendo
um livro, cujas linhas sumirão
feito névoa?

Não serei mais
nada
quando ela chegar;
não será mais
nada
quando eu me for.

Contudo, estarei além do rio
em ruas de ouro
para sempre.




Juscelino V. Mendes

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Por que você está triste, Daniel?




Eu escrevi no dia 16 de junho, a propósito de um jogo do Brasil, ainda na fase de grupos da Copa do Mundo 2014:

"Seleção emotiva, que não resistiria a racional alemã." 


E resolvi escrever hoje depois um brevíssimo diálogo, com um garotinho lindo e cheio de sonhos:


Perguntei ao meu neto de 3 anos: 


"Por que você está triste, Daniel?" 

__"Porque o Brasil só fez 1; e o outro, um monte! Um monte!..."


Essa sensação de uma criança nos dá a exata dimensão do quanto essa derrota humilhante para a Alemanha nos entristeceu. Tivéssemos perdido esse jogo por um placar diminuto, jamais enfrentaríamos os nossos verdadeiros problemas estruturais tão visíveis para quem quiser enxergar o óbvio ululante, como diria Nelson Rodrigues.

Em tudo podemos, querendo, extrair algo de positivo: a empáfia reinante no futebol brasileiro, parece, foi embora de vez; o técnico "pega-pega!" emocional, nunca mais!

Esse tipo de profissional não deveria ter mais lugar em nossos clubes e, muito menos, na seleção brasileira. Que não seja, amanhã, a nossa esperança uma esquivança.

O técnico de segundona escalou jogadores perdidos em campo, com um meio campo frágil e desnorteado pelos alemães. Em entrevista, ao final da partida, disse o técnico brasileiro que tanto fazia perder de 1, quanto de 7, é a mesma coisa. Ora, talvez tivesse imaginado uma partida de futebol de salão. Então devia ter convocado o craque Falcão!


Esse arremedo de seleção devia ter perdido nas oitavas de final: poupar-nos-ia de tanta vergonha e descalabro.

Neymar foi poupado dessa humilhação. É Ligar para o colombiano, que o retirou de campo, com aquela falta criminosa e agradecer. Esses jogadores da seleção voltam para os seus clubes e contas bancárias recheadas de euros, feito o Daniel Alves, que, na entrevista, na linha de seu técnico, parecia ter assistido a uma derrota qualquer. 

E nós, torcedores? Ficaremos com a vergonha nacional e as belas arenas superfaturadas. O positivo de tudo isto é que só poderão culpar a Alemanha por essa falta de respeito e consideração em nossa própria casa. Aliás, a Alemanha foi educada, porque "tirou o pé", como dizemos na linguagem do futebol, e não nos aplicou uma goleada ainda mais humilhante.

As coisas só se modificam no Brasil, em todos os sentidos, quando há uma catástrofe. É assim também no futebol, que faz parte importante de nossa vida social. Acredito que esses sete gols da Alemanha nos farão muito bem, para que algo aconteça de positivo, desde a saída de dirigentes interesseiros, para dizer o mínimo, a mudança de princípios na mídia e permitam que a maioria dos torcedores brasileiros, de fato, divirtam-se.

Há, na realidade, um vazio disfarçado no excesso. E um clamor deveras exposto no silêncio, hoje, de quem imaginava pertencer a um País do Futebol, como sempre aprendemos desde a infância.

A loucura do poeta alemão Friedrich Hölderlin é tão encantadora quanto os labirintos do fantástico argentino, Jorge Luis Borges, e me fazem refletir à exaustão. A loucura dessa vitória alemã sobre a nossa seleção só será amenizada se a seleção argentina não ganhar esse mundial. Aí será demais!

Dizia C.S.Lewis: "Não deixe sua felicidade depender de algo que você possa perder". Lembrei-me desta frase sábia para diminuir a minha chateação e animar o meu neto.

Há um delírio prazeroso em olhar para o passado e indagar a si mesmo: "O que teria acontecido se...?". Dessentido prazer, pois, este de vivermos das coisas pretéritas e imutáveis.


Juscelino V. Mendes