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segunda-feira, 21 de julho de 2014

Rubem Alves - Teologia


Eu sempre soube dividir as posições científicas, filosóficas e teológicas das pessoas. Muita gente boa que conheço não sabe fazer isto e desdenha e desmerece a outra, simplesmente porque não professa a mesma fé que a sua. Eu tenho amigos que tem fé diferente da minha, e alguns deles que são até ateus, mas nem por isso deixo de enaltecer as suas qualidades extraordinárias, sobretudo como pessoas honradas, éticas, produtivas e respeitosas. 

Rubem Alves, embora dissesse muita verdade a respeito de cristãos e igrejas, não professava a mesma fé bíblica que eu, mas nem por isso deixei de admira-lo como pessoa humana maravilhosa, intelectual de capacidade ímpar e de ler os seus textos extraordinariamente bem escritos, nem, muito menos, a execrá-lo por conta de suas posições teológicas contrárias às minhas. Temos outros bem menos qualificados intelectualmente no nosso meio batista, por exemplo, e com posições estranhas a respeito do evangelho, mas que são ovacionados em nossos congressos como fantásticos teólogos. Rubem Alves era mais honesto, portanto. 

Há exatos doze meses, depois de assistir a uma palestra sua, sobre teologia, escrevi, triste, este poeminha, como um breve retrato de um poeta enfermo:



A-deus


(p/ Rubem Alves)

Sou quem sou,
Mas não sei.
Partir-me-ei,
E de quem sou?
Não sei...
Minha teologia vai contra a maré;
Minha humana filosofia é o que me resta.
Acabei a carreira e é o que me presta.
Na minha velhice, pergunto-me, se algum dia tive fé!

A-deus!...



Juscelino V. Mendes
http://juscelinomendes.blogspot.com.br/2013/07/breve-retrato-de-um-poeta-enfermo.html

2 comentários:

Graça Grauna disse...

Jus - meu amigo poeta: a sua cronica e o seu poema em homenagem a Rubem Alves traz ao meu coração um tanto de paz, embora incomodado de tristeza. Rubem Alves já faz falta. Um dos livros que li, escrito por ele, é uma obra infantil; um livro encantado que traz a história de um pássaro e uma menina, uma mistura de paz e doçura.

João Mantovanelli disse...

Ao ler a crônica de Rubem Alves "Religiões e gaiolas". Pássaros presos que não podem ser livres param voarem, ir ao longe da plenitude. Rubem aponta que a vida e religião devem voar, voar e colher o dia, como se colhe um crepúsculo, a vida com Deus se encontra em um lindo jardim e por tanto, sentado na sombra de um ipê amarelo. Ouvindo o canto dos pássaros, este é o encontro com Deus.