domingo, 8 de setembro de 2013

Hades colonial

Trens de doido,
Colônia,
Barbacena.



E meu avô,
Lindolfo Martins Mendes,
Um dentre milhares no hades.

Vitimadas,
Enclausuradas do ser,
E o nada nadifica.

Nudez gelada,
Envergonhada,
Frio na alma.


Solidão em massa,
Colônia do inferno,
Chocante tortura.

Holocausto Brasil,
Terra de loucos assassinos,
Estado cruel.


Foucault teria ficado doido.
É doído.
Mas quem é o Estado?


Composição de gente louca,
que se arvora em ser dona
e determinante da morte:


Clausura da vida!
O mundo jaz no maligno.
Saudades de meu avô.

Juscelino V. Mendes





1 João 5.19: "Nós sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro está sob o poder do maligno."
Poema composto, a partir da leitura da impressionante obra "Holocausto brasileiro", de Daniela Arbex. (Foto copiada do livro, sob a informação: "Prédio do hospital que sediaria o futuro museu da loucura").
Em Heidegger, a expressão "O nada nadifica" significa que a forma de o nada se manifestar é em si mesmo. É, pois, causa e efeito da angústia.  
Michel Foucault, filósofo francês, que afirmou: "Nunca a psicologia poderá dizer a verdade sobre a loucura, já que essa que detém a verdade da psicologia." in "Doença mental e psicologia. 2. ed. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1975. p. 71-99".





Um comentário:

  1. João Francisco Mantovanelli9 de dezembro de 2013 às 17:54

    "Não dá pé
    Não tem pé, nem cabeça
    Não tem ninguém que mereça
    Não tem coração que esqueça
    Não tem jeito mesmo
    Não tem dó no peito
    Não tem nem talvez ter feito
    O que você me fez desapareça
    Cresça e desapareça..." Zeca Baleiro. E com esses dizeres possamos talvez entender a loucura, mas, com tratamento digno de saúde mental, se os loucos são insanos, a sanidade tem que transparecer com as pessoas sãns. Não se pode prejudicá-los ainda mais que a vida os prejudicou, Merecem tratamentos como qualquer cidadão, aliás todos ão iguais perante a lei, quando se trata do Princípio da Dignidade Humana. E são sujeitos dignos de afeto, atenção e carinho. "Não dá pé, não é direito
    Não foi nada
    Eu não fiz nada disso
    E você fez
    Um Bicho de Sete Cabeças...".

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