domingo, 19 de janeiro de 2014

Encantos

http://www.swportlandfuchsia.org/
http://jardinplantas.com/cultivo-del-agapanto/












Entre fúcsias, agapantos,

raridades e sonhos,

inevitáveis espantos,

dores, suponho,

eis da vida os encantos!



Juscelino V. Mendes





sábado, 21 de dezembro de 2013

Ah! Clarice














Ah! Clarice,
contigo a poesia é certa,
a loucura inserta
na beleza dos dias,
sem máscaras,
amalgamadas do ser:
sob o vazio,
sob a escuridão,
sob a escravidão,
sob o misterioso olhar.



Juscelino V. Mendes



quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O fruto e a flor


Minha vaidade diminui
à medida que envelheço,
amadureço;
e eu intuo, alegremente,
o clarão intenso,
na visão às vezes embaçada,
mas impregnada de esperança,
que me alcança,
dia após dia.
Semeio e antevejo o fruto
e a flor.





Juscelino V. Mendes




domingo, 8 de dezembro de 2013

Quaruba-vermelha

Quaruba-Vermelha

(P/ a Lolita de Vladimir Nabokov)

Reflexo de um espelho
que está iluminando
luzes de um amor
primaveril de uma flor
branco-rosa-vermelha
cabelo amarelo
quaruba-vermelha
de quatro lustros
quase:

Visão de um cravo
que não sabe
quantas pétalas
tem essa flor, mas...
cheira-a, sente-a
fecunda-a
com seu pólen
planta da terra poesia
quarup
num quasar quase-posse.




Juscelino V. Mendes

Quaruba é um tipo de árvore. Uma guria de pele branca avermelhada, no fulgor da juventude, a exemplo da "Lolita" de V. Nabokov. 
Quasar: Corpo que tem ampla aura e emite poderosa luz azul e ondas radioativas.
Quarup:: uma madeira da região amazônica. 


O avião desapareceu!











O avião desapareceu!
Comamos e bebamos,
que amanhã morreremos.

Fora do radar...

Gargalhadas no restaurante:
indiferentes ao revolto mar;
às vidas, sonhos e dores;
sequer flores!

Comamos e bebamos,
que amanhã morreremos.

Estou exausto! Viajo.
Aonde? Não sei.

Viver, poeta,
Não é mesmo
Preciso.

"Palavras, palavras, palavras" diz Hamlet
para Polonius no segundo ato.

Estou farto e parto.



Juscelino V. Mendes


Somente à guisa de comparação

"...Porém é só gozo e alegria que se veem; matam-se bois, degolam-se ovelhas, come-se carne, bebe-se vinho e se diz: Comamos e bebamos, que amanhã morreremos..."
(ISAÍAS 22: 13)



sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Que saia o sol na paisagem!






"A loucura é sagrada, a vista uma ilusão"
(Heráclito, frag. 46)




Não será o choro um filme?
Cenas pretéritas em transe
E as lágrimas o morrer?
Concretude em gotas...
Se morrer quisesse, morreria?

Tal poder não tendo
O arrepender-se
Faz-se presente na ausência querida do ser

Por que se deseja uma canção triste?

Cão Andaluz (ii)
Em surrealismo poético da vida
Timorense:

Tétum (iii) , montanhas, sândalo,
Ouro negro, mármore azul,
Catarata de sangue nos rios
Restos de ternura boiando
Florestas menstruadas
Corações nunca escravos
Para o amanhecer de primavera
Desiderato de uma nação
Plantada na copa sombria das árvores.
Que saia o sol na paisagem
Ensolarada de um país!



Juscelino V. Mendes

----------------------------------------

(ii) Primeiro filme de Luis Buñuel, "Un Chien Andalou", 1928.
(iii) Língua nacional (antiga) de Timor Leste.
Sobre o poema

(i) Fui colaborador nas causas timorenses e por sua luta de independência, finalmente conseguida, não obstante muito ainda tenha que ser feito para confirmá-la.