sexta-feira, 10 de abril de 2020

O ESTOICISMO, A COVID-19 E A PROCURAÇÃO


Há muita gente contestando o obrigatório distanciamento social, sob vários argumentos, até o ponto de encarar, com certa apatia, a morte - desde que seja a morte de gente de outras famílias, que não a sua. Isso, além de desonesto, desumano e anticristão é de uma hipocrisia impressionante, sobretudo, porque estão dentro de suas casas, com as suas máscaras (nos dois sentidos) e tomando todas as precauções, com medo da Covid-19.

"No século IV a.C., a questão ética que preocupava os estoicos era como reagir à predominante sensação de fatalismo que brotava do fato de se viver num império rigidamente controlado. Eles não podiam fazer grandes mudanças em sua vida diária, então decidiram mudar de atitude quanto a vida em si. Era o único controle pessoal que lhes restava. O que os estoicos formularam foi uma estratégia de distanciamento emocional da vida. Chamavam essa atitude de 'apathia' e, para os estoicos, a apatia era uma virtude [como o é para muitos nestes dias de Covid-19], que os transformava em fonte de risos na taverna local. Os estoicos estavam dispostos a sacrificar alguns tipos de felicidade (sexo, drogas e hip-hop dionisíaco) a fim de evitar a infelicidade provocada por suas paixões (doenças sexualmente transmissíveis, ressacas e rimas ruins). Guiavam-se apenas pela razão, nunca pela paixão, e, portanto, consideravam-se as únicas pessoas realmente felizes - o que quer dizer que eram ininfelizes.

Na história abaixo, o Sr. Cooper demonstra uma forma moderna de estoicismo: o estoicismo por procuração.

O casal Copper entrou no consultório do dentista, onde o Sr. Cooper deixou claro que estava com muita pressa.

- Sem muita frescura, doutor - mandou ele. - Não precisa anestesia nem nada. Arranque o dente de uma vez e vamos acabar logo com isso.

- Que bom seria se meus pacientes fossem estoicos como o senhor - disse o dentista, admirado. - Então, qual é o dente?

- Sr Cooper virou para a esposa e disse:

- Abra a boca, querida."*



(* Thomas Cathcart & Daniel Klein. PLATÃO e um ORNITORRINCO entram num bar, p. 92-93).

E O POVO SE MANTEVE EM QUARENTENA...

O prefeito de Varginha-MG, Antônio Silva, quis entrar na onda do vale mais a economia, a comida, o emprego, blá, blá, blá, como se doente, ou morto pudesse trabalhar etc. e assinou decreto permitindo o funcionamento do comércio. O povo se rebelou contra ele e se manteve em quarentena. O prefeito renunciou.

Tomás de Aquino (1225-1274), ensina que a Lei humana é puramente convencional e relativa, altamente contingente, e que deve refletir o conteúdo das Leis Eterna e Natural.


E se estiver baseado na perversão da reta razão (como o decreto do prefeito e as determinações-atitudes do presidente da República), ou um conjunto de regras de autoridade que servem a um ou a poucos? Perderá, segundo Tomás, a sua força coativa dada pela natureza, preservando apenas o que lhe é dado por convenção e deve ser desobedecida.

O povo de Varginha agiu dessa forma, dando-nos o exemplo, que o Brasil todo deveria adotar. Esse é o verdadeiro exercício da cidadania; a crítica correta, isenta de ideologia 'non sense'...


quarta-feira, 25 de março de 2020

A COVID-19 E O PATETA

O pior presidente da República que o Brasil já teve (1967-69), chamava-se, Artur da Costa e Silva, aquele do AI-5, de 13/12/68.

Faziam-se piadas diversas sobre ele, enquanto se desenrolava o seu (des)governo, com atitudes pueris, atrocidades, violação dos direitos humanos e ignorância generalizada sempre exposta.

Jair Messias Bolsonaro (2019 -), com o que vem falando, desde que assumiu o governo, e, especialmente, ontem e hoje, sobre a miséria da Covid-19, superou o gaucho, Artur da Costa e Silva.



Jamais pensei que alguém pudesse superar aquele que já foi um dia chamado por Ulisses Guimarães, como um dos "três patetas."



sexta-feira, 20 de março de 2020

QUARENTENA NECESSÁRIA

Eu sempre gostei de ficar em casa. 
É um lugar que me deixa tranquilo, mas agora estou em prisão domiciliar, mais conhecida como “quarentena”.

É horrível sentir a falta da liberdade, do ir e vir, etc. como diria Charles Dickens (1812-1870), em seu magnífico romance, ‘Bleak House’ p. 299: 

“Tudo parece uma obliteração de marcos e um abrir de comportas e fendas na estrutura da sociedade”.

Só uma semana e já sinto fortemente essa destruição, 
a abertura dessas comportas e 
as fendas em nossa sociedade.

Nunca podia imaginar, que uma legião de vírus do capeta pudessem me dizer:

-mãos (sujas) ao alto!

-ahn?!

-então, teje preso!...



segunda-feira, 18 de março de 2019

Alameda casa branca

Há um olhar lá da costa,
Que se põe em mim e roga:
Um sentir sem temporais...
E de ondas secretas.


Terra em transe: Guerrilha
Urbana, Ana!
Emboscada na alameda
Casa Branca manchada de sangue.

Atiraram nas Letras Nacionais
Naquele novembro de quatro
E entregue à Casa Branca!



Juscelino V. Mendes

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Compus esses versos em 1969. Parece composto hoje. A subserviência brasileira, nas suas débeis relações com os Estados Unidos, nunca foi tão servil e idiota, arquitetada por outro não menos idiota e pseudofilósofo: Olavo de Carvalho. Estamos lenhados com essa gente toda junta, capitaneada por Bolsonaro, travestida com vestes de carnaval e sambando ajoelhada nas terras do Tio Sam.

sábado, 21 de abril de 2018

Regime de Homens, ou de Leis?

O que é mais conveniente para a comunidade civil, estar sob um regime de leis ou de homens? 

Essa é uma questão clássica, que pasmou a Antiguidade por séculos. 


Tomás de Aquino, elucidando a questão e repudiando a paixão, opta pela posição de Aristóteles de Πλάτων (Leis, 644-D 645-A; 674 B): o regime das leis.


Eduaro C. B. Bittar / Guilherme Assis de Almeida, Curso de Filosofia do Direito, 2ª edição, São Paulo: Atlas, 2002, p. 209-210.